Sim. Na maioria dos casos, o preenchimento feito com ácido hialurônico pode ser desfeito, total ou parcialmente, com a aplicação de uma enzima chamada hialuronidase, que degrada o produto. Esse recurso é usado para corrigir excessos, assimetrias, nódulos e, principalmente, em situações de urgência vascular.
Isso não significa que o preenchimento seja um procedimento "sem compromisso". A hialuronidase tem indicações, limites e riscos próprios, e só funciona para o ácido hialurônico. A seguir, explicamos como ela age, quando é usada e por que o melhor caminho continua sendo um bom planejamento desde o início.
O que é a hialuronidase
A hialuronidase é uma enzima, ou seja, uma substância capaz de acelerar uma reação química específica. No caso, ela quebra as moléculas de ácido hialurônico em partes menores, que são absorvidas e eliminadas pelo próprio organismo.
O nosso corpo já produz hialuronidase naturalmente. É por isso que o ácido hialurônico, tanto o natural quanto o aplicado em preenchimentos, é renovado e absorvido com o tempo. A enzima usada em procedimentos apenas faz esse processo acontecer de forma muito mais rápida e localizada.
Em quais situações ela é usada
A decisão de aplicar hialuronidase é sempre tomada após avaliação. As situações mais comuns são:
Excesso de volume
Quando a quantidade de produto ficou maior do que o rosto pede, deixando um aspecto pesado ou artificial. Isso pode acontecer, por exemplo, após aplicações repetidas sem intervalo adequado.
Assimetrias e irregularidades
Quando há diferença perceptível entre os lados ou pequenas ondulações que não melhoraram com o tempo de acomodação do produto.
Nódulos
Alguns nódulos podem ser sentidos ou vistos sob a pele. Nem todo nódulo precisa de enzima: muitos melhoram sozinhos nas primeiras semanas. A avaliação ajuda a diferenciar o que é acomodação do que precisa de intervenção.
Migração ou aspecto azulado
Quando o produto se desloca para fora da área planejada ou, em regiões de pele fina, aparece como uma sombra levemente azulada, efeito conhecido como efeito Tyndall.
Emergências vasculares
Esta é a indicação mais importante. Em situações raras, o produto pode comprometer a circulação de uma região. Nesse caso, a hialuronidase é um recurso fundamental para ajudar a restabelecer o fluxo sanguíneo, e o tempo de resposta faz diferença.
Se, após um preenchimento, você notar dor intensa que piora, pele pálida ou arroxeada em manchas, bolhas, alteração de visão ou febre, procure imediatamente a profissional que fez o procedimento ou atendimento médico.
Como é a aplicação
A aplicação da hialuronidase é feita com agulha fina, diretamente na região onde está o produto que se deseja degradar. Antes, a profissional avalia a área, conversa sobre o histórico de aplicações e define a quantidade necessária.
Alguns pontos importantes:
- o efeito costuma começar em poucas horas, mas a avaliação completa geralmente é feita após alguns dias;
- pode haver inchaço, vermelhidão e sensibilidade local temporários;
- em alguns casos, é necessária mais de uma sessão;
- a enzima também pode atuar sobre parte do ácido hialurônico natural da região, que é reposto pelo organismo com o tempo.
Depois da degradação, pode ser preciso aguardar algumas semanas antes de considerar uma nova aplicação de preenchedor, para que os tecidos se recuperem e o rosto possa ser reavaliado com clareza.
Teste e avaliação de alergia
Como qualquer substância, a hialuronidase pode causar reações, incluindo, raramente, reações alérgicas. Por isso, a avaliação inclui perguntas sobre histórico de alergias, especialmente a picadas de insetos, já que existe relação descrita entre esses tipos de sensibilidade.
Em situações que não são de urgência, pode ser feito um teste de sensibilidade antes da aplicação, conforme a avaliação. Já nas emergências vasculares, o benefício de agir rápido costuma ser priorizado, sempre com atenção e preparo para lidar com possíveis reações.
O que a hialuronidase não desfaz
A enzima age apenas sobre o ácido hialurônico. Ela não funciona para outros tipos de produto, como:
- bioestimuladores de colágeno, como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio;
- preenchedores permanentes ou de longa duração de outras composições;
- o colágeno produzido pelo próprio organismo após estímulos.
Por isso, é muito importante saber exatamente qual produto foi aplicado em você. Guarde as informações do procedimento e leve esse histórico a qualquer nova avaliação. Se você não sabe o que foi aplicado anteriormente, comente isso na consulta: essa informação muda o planejamento.
Saber que pode ser desfeito não substitui o planejamento
A possibilidade de degradar o ácido hialurônico traz segurança, mas não deve ser vista como uma forma de "testar" resultados. Cada aplicação, inclusive a da enzima, envolve agulhas, inchaço, tempo de recuperação e riscos próprios.
O melhor preenchimento é aquele planejado para não precisar ser desfeito.
Algumas atitudes ajudam a prevenir a necessidade de correção:
- fazer uma avaliação individual, que olhe o rosto como um todo;
- preferir quantidades moderadas e aplicações em etapas;
- respeitar o tempo de acomodação antes de qualquer retoque;
- manter um histórico claro dos produtos aplicados;
- alinhar expectativas sobre o que o preenchimento pode e não pode fazer.
Para entender como manter um resultado harmônico, leia Como preservar a naturalidade dos procedimentos faciais e conheça mais sobre o preenchimento facial.
Perguntas frequentes
A hialuronidase remove todo o preenchimento de uma vez?
Depende da quantidade de produto, do tempo desde a aplicação e da dose usada. Em alguns casos, a degradação é parcial e intencional, apenas para suavizar um excesso. Em outros, podem ser necessárias mais sessões.
Depois de desfazer, o rosto fica pior do que antes?
Em geral, não. A enzima pode atuar também sobre parte do ácido hialurônico natural, mas o organismo costuma repô-lo com o tempo. Pode haver inchaço temporário logo após a aplicação.
Posso refazer o preenchimento depois?
Sim, quando houver indicação. O ideal é aguardar o período orientado na avaliação, para que a região se recupere e o novo planejamento seja feito com segurança.
Funciona em preenchimento antigo?
Se o produto for ácido hialurônico, em geral sim, mesmo que a aplicação tenha sido feita há bastante tempo. O primeiro passo é investigar qual produto foi usado.
Em resumo
- O preenchimento com ácido hialurônico pode, na maioria dos casos, ser desfeito com hialuronidase.
- A enzima é usada para excessos, assimetrias, nódulos, migração e emergências vasculares.
- Ela não funciona para bioestimuladores nem para outros tipos de preenchedor.
- Planejamento cuidadoso continua sendo o melhor caminho.
Se você tem dúvidas sobre um preenchimento já feito ou quer planejar um com tranquilidade, agende sua avaliação. Vamos conversar sobre o seu histórico e sobre o que faz sentido para o seu rosto.