O preenchimento de olheiras costuma ser indicado quando a olheira é profunda ou estrutural, ou seja, quando existe um afundamento abaixo dos olhos que cria sombra e dá aspecto de cansaço. Nesses casos, o ácido hialurônico pode suavizar a transição entre a pálpebra inferior e a bochecha, deixando o olhar mais descansado.
Por outro lado, o preenchimento não clareia a cor da olheira. Quando o escurecimento vem de pigmento na pele ou de vasos sanguíneos aparentes, ele tende a ajudar pouco, e às vezes nem é indicado. Por isso, antes de pensar no procedimento, é essencial entender qual é o seu tipo de olheira.
Nem toda olheira é igual
"Olheira" é um nome popular para situações bem diferentes. Muitas pessoas têm mais de um tipo ao mesmo tempo, o que explica por que um único tratamento raramente resolve tudo.
Olheira profunda ou estrutural
Acontece quando há uma depressão abaixo dos olhos, muitas vezes chamada de sulco lacrimal. Pode ter origem genética ou aparecer com o tempo, pela perda de volume e de sustentação da região. A "cor escura", nesse caso, é na verdade uma sombra formada pelo afundamento. É o tipo que mais costuma se beneficiar do preenchimento.
Olheira pigmentada
Está ligada ao acúmulo de pigmento (melanina) na pele da pálpebra. Tem tom acastanhado e costuma ser mais comum em algumas pessoas por predisposição genética, podendo piorar com sol, atrito e inflamações da pele. Aqui, o foco costuma estar em fotoproteção, cuidados com a pele e tratamentos voltados para manchas.
Olheira vascular
Aparece quando a pele da região é muito fina e deixa transparecer vasos sanguíneos, dando um tom arroxeado ou azulado. Tende a piorar com noites mal dormidas, cansaço, alergias e congestão nasal. O preenchimento não muda a cor dos vasos; em alguns casos, pode até evidenciar a transparência se não for bem indicado.
Bolsas e inchaço
Há ainda quem tenha bolsas de gordura ou retenção de líquido abaixo dos olhos. Nessas situações, preencher pode piorar o aspecto, e outras abordagens, incluindo uma avaliação cirúrgica, podem ser mais adequadas.
Como o preenchimento age na olheira profunda
O ácido hialurônico é uma substância que já existe naturalmente no organismo e tem capacidade de atrair água. No preenchimento, ele é aplicado em pequenas quantidades, em planos específicos, para repor suporte na região do sulco lacrimal e, muitas vezes, também na região da maçã do rosto, que dá sustentação ao olhar.
O objetivo não é "encher" a área abaixo dos olhos, e sim suavizar a sombra e harmonizar a transição entre pálpebra e bochecha. Em muitos casos, tratar o terço médio do rosto já melhora a olheira sem precisar de muito produto diretamente nela. Se quiser entender melhor o produto, leia Preenchimento com ácido hialurônico: o que saber.
Um olhar descansado é sobre leveza, não sobre volume.
Uma região delicada
A área dos olhos tem pele fina, muitos vasos e uma anatomia que exige planejamento cuidadoso. Por isso, o preenchimento de olheiras costuma ser feito com:
- produtos de consistência adequada para a região, geralmente mais leves;
- pequenas quantidades, muitas vezes em etapas;
- técnica e plano de aplicação definidos conforme a anatomia de cada pessoa, frequentemente com cânula;
- avaliação prévia cuidadosa da pele, de bolsas e de inchaços.
Menos, nessa região, quase sempre é mais. O excesso de produto é uma das principais causas de resultados artificiais e de inchaço persistente.
Quando o preenchimento não é indicado
Em geral, o procedimento costuma ser evitado ou adiado quando:
- a queixa principal é a cor (olheira pigmentada ou vascular), sem afundamento relevante;
- há bolsas de gordura evidentes ou tendência a inchaço frequente na região;
- a pele está muito fina ou flácida;
- há infecção, inflamação ou lesões ativas na área;
- a pessoa está grávida ou amamentando, situação em que procedimentos injetáveis costumam ser adiados;
- a expectativa é de um resultado que o procedimento não consegue oferecer.
A avaliação individualizada é justamente o momento de identificar essas situações e conversar com sinceridade sobre o que faz sentido.
Riscos, efeitos esperados e cuidados
Depois do preenchimento de olheiras, é comum haver inchaço leve, sensibilidade e, às vezes, roxos, que tendem a melhorar ao longo de alguns dias a duas semanas. O resultado costuma ser avaliado após a acomodação do produto.
Entre os riscos estão inchaço prolongado, irregularidades ou pequenos nódulos, aspecto azulado sob a pele (quando o produto fica superficial), assimetrias e, mais raramente, complicações vasculares. Quando necessário, o ácido hialurônico pode ser degradado com uma enzima, a hialuronidase, o que é uma vantagem importante desse tipo de produto.
Procure imediatamente a profissional que fez o procedimento se notar dor intensa, pele pálida ou arroxeada em mancha, alteração na visão, bolhas ou febre. Se não conseguir contato, busque atendimento médico de urgência.
Os cuidados nos primeiros dias costumam incluir evitar calor intenso, exercícios pesados, massagens na região e pressão sobre os olhos, sempre conforme a orientação recebida.
Outras abordagens que fazem diferença
Mesmo quando o preenchimento é indicado, ele funciona melhor como parte de um cuidado mais amplo. Algumas medidas ajudam em todos os tipos de olheira:
- fotoproteção diária, inclusive na região dos olhos, além de óculos de sol;
- cuidados com a pele adequados para a área, com orientação profissional;
- sono de qualidade e rotina mais regular;
- evitar coçar e esfregar os olhos;
- conversar com seu médico sobre alergias ou congestão nasal, se for o caso.
Para olheiras pigmentadas, tratamentos voltados para manchas e qualidade da pele podem ser considerados. Para a pele fina, estratégias de estímulo de colágeno também podem fazer parte do plano.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura o preenchimento de olheiras?
Varia de pessoa para pessoa e conforme o produto. Em geral, a região dos olhos tem pouca movimentação e o efeito pode durar bastante, muitas vezes cerca de um ano ou mais. Não é possível garantir um prazo.
O preenchimento clareia a olheira escura?
Não. Ele suaviza a sombra causada pelo afundamento. Se o escurecimento vem de pigmento ou de vasos, o preenchimento ajuda pouco.
Dói?
Costuma haver desconforto leve, que pode ser reduzido com anestésico. A sensibilidade varia bastante.
Vou ficar com o olho inchado?
Um inchaço leve nos primeiros dias é comum. Inchaço persistente é mais associado a excesso de produto ou indicação inadequada, por isso o planejamento conservador é tão importante.
Em resumo
- O preenchimento ajuda principalmente na olheira profunda, suavizando a sombra do afundamento.
- Ele não clareia olheiras pigmentadas nem vasculares.
- A região é delicada e pede pouco produto, técnica cuidadosa e avaliação detalhada.
- Fotoproteção, cuidados com a pele e sono continuam sendo parte do cuidado.
Quer entender qual é o seu tipo de olheira e se o preenchimento facial faz sentido para você? Agende sua avaliação e converse com calma sobre o que pode realçar o seu olhar.